03/06/2014
Industrialização ganha força no interior do Paraná *
A projeção de um novo mapa econômico para o Estado pode abrir espaço para outras regiões carentes de indústrias
A geração de empregos com carteira assinada na indústria no Paraná alcançou números positivos no interior nos últimos dois anos, ao contrário do balanço da Região Metropolitana de Curitiba (RMC), onde o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) registrou queda. A investida dos empresários para além dos limites da capital se explica, em grande parte, pela saturação do espaço geográfico na aglomeração industrial formada desde a década de 1.970 na RMC e, consequentemente, pelas restrições ambientais para ampliação das empresas.
Segundo os especialistas, a projeção de um novo mapa econômico, mais do que um risco para a economia estadual, deve gerar oportunidades em regiões ainda carentes da chamada indústria da transformação. A RMC ainda mantém a liderança folgada somando 65% da arrecadação industrial no Paraná, favorecida especialmente pela proximidade com o Porto de Paranaguá. Contudo, as microrregiões de Maringá (Norte), Cianorte (Noroeste) e Foz do Iguaçu (Oeste), se destacaram na geração dos novos empregos industriais, cada uma superando a casa das 2,2 mil novas vagas.
O presidente do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Gilmar Mendes Lourenço, afirma que a interiorização industrial vai beneficiar as regiões que estiverem preparadas para oferecer as melhores condições aos empresários. "O empresário tem vantagens ao se instalar perto de outras indústrias, mas em determinado momento, como no caso de Curitiba, ocorre a saturação e aparecem restrições, enquanto que no interior ainda existem muito mais espaços disponíveis para as novas instalações."
Lembrando da trajetória econômica da RMC, que ganhou força com a criação do parque industrial na capital e a construção da Refinaria de Araucária, Lourenço sinaliza que o tempo pode ser diferente. "O interior continua prosperando, mas o ritmo é outro (em relação à RMC)."
Para ele, o desenvolvimento regional no interior está ligado, necessariamente, à capacidade para a atração de novas empresas. "É a indústria que incorpora o progresso e a difusão tecnológica. Embora industrialização não seja sinônimo de desenvolvimento, uma região precisa passar por ela para chegar ao desenvolvimento." No seu ciclo produtivo, a indústria movimenta outros setores, como produtores da matéria-prima, mão de obra qualificada, fornecedores e compradores.

Gilmar Mendes Lourenço, do Ipardes: a interiorização industrial vai beneficiar as regiões que oferecerem melhores condições aos empresários

* Matéria publicada no dia 03.06.2014, na página 04 do Caderno Especial "Desafios 2015: desenvolvimento exige estratégias assertivas", do jornal Folha de Londrina.




















