01/07/2014

“Crescimento duradouro virá com resgate de políticas econômicas”*


É praticamente consensual o diagnóstico de que a recuperação da estabilidade monetária brasileira e o encaixe do país em um ciclo de crescimento duradouro, no transcorrer das próximas duas décadas, exigirão, antes de qualquer iniciativa, o resgate da capacidade de formulação e execução de políticas econômicas, sacrificada pela aplicação equivocada do keynesianismo entre 2009 e 2014. Esta é uma condição essencial ao retorno da disposição dos agentes sociais para a construção compartilhada de um projeto de desenvolvimento.

Nessa perspectiva, será crucial a busca de uma sintonia fina entre as variáveis de estabilização e aquelas direcionadas à alteração sustentada dos patamares de expansão econômica. Isto significa que, ao lado da adoção de mecanismos de combate à inflação pelo lado da oferta, centrados na redução estrutural dos juros e dos dispêndios governamentais correntes e financeiros e na depreciação da taxa de câmbio, urge o lançamento das reformas estruturais.

Mais precisamente, as imprescindíveis cirurgias nos arcabouços tributário, fiscal, administrativo, patrimonial, trabalhista e previdenciário oportunizarão forças para o afastamento, em definitivo, dos perigos de formação de focos inflacionários oriundos do desequilíbrio das finanças do setor público, e a promoção da desejada elevação da inversão pública e privada, elemento antecedente de sólidos estágios virtuosos.

A permuta de prioridades, mirando o investimento em vez do apoio ao consumo desenfreado, ensejará espaço para as inversões em infraestrutura econômica, científica e tecnológica e, por extensão, a reversão da desidratação da matriz manufatureira, através da impulsão da produtividade e da inserção competitiva das empresas atuantes no Brasil em um ambiente de radicalização da terceira revolução industrial em escala global.

Gilmar Mendes Lourenço, economista, professor da FAE e diretor-presidente do Ipardes.

* Artigo publicado no Caderno de Economia do Jornal Gazeta do Povo em 01.07.2014.